Resenha por: Gihana Fava
Não sei que de quem é a autoria da frase “A vida começa onde sua zona de conforto termina”, mas ela bem que poderia ser de Chris McCandless, um jovem que largou tudo para ir viver uma aventura pelos Estados Unidos depois de doar todo o seu dinheiro. Na verdade, muito mais do que qualquer descrição que eu pudesse fazer aqui sobre sua história, para entender o verdadeiro espírito por trás dessa jornada em busca de dar um sentido para a vida que Chris acreditava, é preciso mergulhar no belo trabalho do autor Jon Krakauer.
O jornalista se esgueira por pistas em fotos e diários, mas principalmente nos depoimentos de pessoas que conviveram com Chris (muitos deles apenas motoristas que ofereceram caronas para o jovem) para remontar o que foram os passos da viagem do jovem. Todos os elementos nos ajudam a entender um pouco da personalidade dele e tentamos reconstruir junto com o autor as peças do quebra-cabeças de uma viagem que acaba de forma trágica: a morte de Chris no Alasca (isso não é spoiler, pois é revelado no início do livro).
Se por um lado, Chris é acusado de ser um cara lunático, que não passava de um jovem bobo que se arriscou de forma ingênua e sem necessidade em uma região difícil como o Alasca, Krakauer já nos desafia no início da leitura a chegar mais perto e olhar para os passos de Chris e só então a tirarmos nossas próprias conclusões. Para além da visão do jovem rebelde ou inconsequente, fui surpreendida ao enxergar um cara sensível, extremamente carismático e inteligente.
Posso dizer que para mim, ao final da leitura, ficou algo mais genuíno: vejo em Chris um cara que não mediu esforços para ir atrás do que acreditava, fiel aos seus princípios. Mas sem soar clichê! Porque Chris não combinaria com frases prontas. É sobre entrega pura e coragem queimando à flor da pele para não olhar para trás.
Termino com um trecho de uma das cartas que Chris escreveu ao seu amigo Wayne, um dos muitos que ele conheceu durante sua jornada:
"É raro encontrar um homem tão generoso e de bom coração como você. Mas as vezes penso que teria sido melhor não ter encontrado você. É muito mais fácil vagabundear com todo este dinheiro. Meus dias eram mais excitantes quando estava duro e tinha de andar à cata da próxima refeição. [...] Wayne, você deveria realmente ler Guerra e Paz. Eu estava falando sério quando disse que você tinha um dos melhores caráteres de todos os homens que conheci. É um livro muito forte e altamente simbólico. Tem coisas nele que acho que você vai entender. Coisas que escapam à maioria das pessoas."

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