quarta-feira, 18 de março de 2015

Put Some Farofa - Gregório Duvivier


Bingo, encontrei um camarada para admirar e colocar todas as minhas expectativas! Sou órfão de autores jovens, de cronistas da minha geração. Acho que Gregório já tem um lugar cativo no meu coração!

Seu livro é cínico, engraçado, ousado e cria uma estética nova para um leitor mediano como eu. “Mas antes” é um dos textos que me fascinaram pela perspectiva de sua construção. Adorei a criatividade do texto “Se o prédio tivesse 30 andares” e “A religião dos outros”.

Gosto de um livro, texto ou poesia quando aquilo me fascina a tal ponto que desejaria ter escrito. Put Some Farofa foi assim: Gostaria de ter escrito!

sexta-feira, 13 de março de 2015

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry


Esse é um daqueles livros que você se pergunta por onde andou para nunca ter lido!
Como é um clássico e muitos já o conhecem, opto por descreve-lo com um fragmento que me tocou:

´´- Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que
procuram...
- Não encontram, respondi...
- E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...
- É verdade.
E o principezinho acrescentou:
- Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração...``

Rumo a meta 48!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Versos para aumentar o mundo - Victor Rodrigues


Este é um grande livro, embora pequeno.
Conheço o trabalho do Victor a menos de 1 ano, mas precisamente nos conhecemos na última Flip em agosto de 2014, onde ele ganhou uma camiseta Poeme-se por ser o campeão de um Slam.

Essa praga de poeta possui versos fáceis e cotidianos. Sintético, vai logo ao ponto e dá o recado. O único problema (bom) é que nos faz pensar, e como sabem, pensar dá um trabalho! 

Para nossa alegria, um dos poemas deste livro virou camiseta:
´´quero estar ao lado de pessoas
  que abaraçam causas
  que abraçam pessoas``

Faço destes versos parte de um mantra que carrego. Abraçar causas e pessoas é combustível para minha vida e apesar da gasolina estar cara, se for o caso colocamos o carro na banguela e seguimos em frente, pois não conhecemos a palavra inércia.

Tião -Do Lixão ao Oscar - Tião Santos


Quem imaginaria que um catador de ´´lixo`` poderia ser personagem de um quadro vendido por R$ 100 mil em leilão? Ou personagem de um documentário que concorreu ao Oscar? Ou ainda mais, carregar a tocha olímpica pelas ruas de Liverpool para a edição de Londres?

Pois é, Tião nos conta como é possível sair do lixo e virar uma referência na militância de políticas públicas para o tratamento de resíduos recicláveis. Aliás ele chama atenção para um detalhe: - Não somos catadores de lixo e sim catadores de resíduos recicláveis, já que lixo não serve para nada.

Inspiro-me em estórias como esta, que tratam de matérias primas reais e desafiadoras. Comprovam que para militância ser militância precisa resistir e que mesmo em tempos de alta não podemos ficar deslumbrados. As causas são muito maiores que as nossas vitórias pessoais ou o olho míope que só enxerga o que esta perto.

Para os catadores, pena de urubu era sinal de sorte. Mas acredito em outra teoria, que afimar: ´´quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho``.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A Revolução dos Bichos - George Orwell



Só de imaginar que esse livro foi tão preterido... O caminho sinuoso que essa obra tomou para virar um best-seller mereceria outro livro!

A granja dos bichos, Rússia de Orwell, foi o palco perfeito para mostrar, através de uma sátira, o perigo que é delegar ao outro a tarefa de pensar.


Recomendo a leitura desse livro, assim como uma análise mais profunda sobre o mundo em que vivemos. Acredito que o que ocorria na granja, ocorre hoje... Vejo muitas ovelhas pelo pasto... E chamo atenção para a diferença de modelos politicos!

Na natureza selvagem

Resenha por: Gihana Fava

Não sei que de quem é a autoria da frase  “A vida começa onde sua zona de conforto termina”, mas ela bem que poderia ser de Chris McCandless, um jovem que largou tudo para ir viver uma aventura pelos Estados Unidos depois de doar todo o seu dinheiro. Na verdade, muito mais do que qualquer descrição que eu pudesse fazer aqui sobre sua história, para entender o verdadeiro espírito por trás dessa jornada em busca de dar um sentido para a vida que Chris acreditava, é preciso mergulhar no belo trabalho do autor Jon Krakauer.

O jornalista se esgueira por pistas em fotos e diários, mas principalmente nos depoimentos de pessoas que conviveram com Chris (muitos deles apenas motoristas que ofereceram caronas para o jovem) para remontar o que foram os passos da viagem do jovem. Todos os elementos nos ajudam a entender um pouco da personalidade dele e tentamos reconstruir junto com o autor as peças do quebra-cabeças de uma viagem que acaba de forma trágica: a morte de Chris no Alasca (isso não é spoiler, pois é revelado no início do livro).

Se por um lado, Chris é acusado de ser um cara lunático, que não passava de um jovem bobo que se arriscou de forma ingênua e sem necessidade em uma região difícil como o Alasca, Krakauer já nos desafia no início da leitura a chegar mais perto e olhar para os passos de Chris e só então a tirarmos nossas próprias conclusões. Para além da visão do jovem rebelde ou inconsequente, fui surpreendida ao enxergar um cara sensível, extremamente carismático e inteligente. 

Posso dizer que para mim, ao final da leitura, ficou algo mais genuíno: vejo em Chris um cara que não mediu esforços para ir atrás do que acreditava, fiel aos seus princípios. Mas sem soar clichê! Porque Chris não combinaria com frases prontas. É sobre entrega pura e coragem queimando à flor da pele para não olhar para trás.

Termino com um trecho de uma das cartas que Chris escreveu ao seu amigo Wayne, um dos muitos que ele conheceu durante sua jornada:

"É raro encontrar um homem tão generoso e de bom coração como você. Mas as vezes penso que teria sido melhor não ter encontrado você. É muito mais fácil vagabundear com todo este dinheiro. Meus dias eram mais excitantes quando estava duro e tinha de andar à cata da próxima refeição. [...] Wayne, você deveria realmente ler Guerra e Paz. Eu estava falando sério quando disse que você tinha um dos melhores caráteres de todos os homens que conheci. É um livro muito forte e altamente simbólico. Tem coisas nele que acho que você vai entender. Coisas que escapam à maioria das pessoas."